As melhores atrizes portuguesas de teatro dão vida a esta grande tradição portuguesa, que se assume como uma forma de expressão artística de excelência. Desde os tempos de Gil Vicente, o pai do teatro português, que este marcou o seu lugar na cultura nacional.

Além disso, géneros como a revista à portuguesa, tornaram-se parte do próprio ADN do teatro nacional, inscrevendo-se na melhor tradição portuguesa teatral. Ao longo das décadas, vários nomes marcaram a história do teatro, entre encenadores, atores e atrizes, passando a fazer parte do imaginário cultural local.

Beatriz Batarda


São muitos os nomes que veem Beatriz Batarda como a grande sucessora de Eunice Muñoz no topo das atrizes portuguesas de teatro. No entanto, a atriz nascida em 1974, na capital britânica de Londres, iniciou a sua carreira no grande ecrã, só depois dando o salto para os palcos nacionais, onde se consolidou como uma das mais respeitáveis atrizes da sua geração.


O Teatro da Cornucópia tem sido a sua principal casa, marcando a sua estreia em 1994 - com “O conto de Inverno”, clássico de William Shakespeare” -, mas também a sua estreia enquanto encenadora, em 2010 - com “Olá e adeusinho”, um original de Athol Fugard.

Filha do pintor Eduardo Batarda e da atriz Leonor Silveira, Beatriz Batarda teve uma educação em escolas de prestígio em Lisboa, terminando a sua formação artística na Guildhall School of Music and Drama, em Londres. Viria a receber a medalha de ouro do seu curso.

Beatriz Batarda viria a estrear-se no cinema, no filme de João Botelho de 1988 “Tempos difíceis”, tendo trabalhado depois com autores como Manoel de Oliveira, Marco Martins ou Luís Galvão Telles.

Uma das razões que faz com que a atriz mantenha um certo respeito junto do público é o facto de nunca ter feito telenovelas. No entanto, em 2018, Batarda interpretou “Sara”, uma minissérie de grande sucesso na RTP. Atualmente casada com o ator e comediante Bruno Nogueira, Beatriz Batarda foi casada com o compositor Bernardo Sassetti até à morte deste, em 2012.

Eunice Muñoz

Eunice Muñoz é a grande dama do teatro português e a atriz de referência em Portugal. Nascida em Moura, em 1928, Muñoz tem uma carreira longa e eclética, que passa pelos anos dourados dos palcos nacionais, pela televisão e pelo cinema. A sua estreia num palco dá-se logo em 1941, com apenas 13 anos, na peça “Vendaval”, de Virgínia Vitorino, e desde aí nunca mais parou.

Contracenando com os maiores nomes da representação nacional, Eunice Muñoz tornou-se no principal rosto do Teatro Nacional, até ao sue último trabalho, em 2011, com “O cerco a Leningrado”. No cinema, a atriz estreou-se com o clássico histórico “Camões”, de Leitão de Barros, construindo um corpo de obra mais curto, mas igualmente respeitável.

O seu último trabalho no grande ecrã remonta já a 2008, quando entrou em “Entre os dedos”, da dupla Tiago Guedes e Frederico Serra. Nos últimos anos, Eunice Muñoz tem sido presença regular na televisão, nomeadamente em telenovelas, ela que foi “A banqueira do povo”, no grande sucesso do pequeno ecrã de 1993.

Atualmente com 92 anos e sem mostrar indícios de reforma, Eunice Muñoz foi elevada a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, a mais alta distinção do Estado português, em 2011, e agraciada com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito, em 2018.

Ivone Silva


A revista à portuguesa, um dos géneros fundadores do teatro em Portugal, confunde-se muitas vezes com alguns nomes que o ajudaram a erguer e a consolidar. E um desses nomes é o de Ivone Silva, uma das grandes atrizes portuguesas de teatro.

Nascida em 1936, na cidade de Ferreira do Zêzere, Ivone Silva construiu uma vasta carreira como actriz e encenadora, mas foi na comédia e no teatro de revista que é sobretudo lembrada. Foi no Teatro ABC que começou a sua carreira, em 1963, nomeadamente na peça “Gente nova em bikini”, e foi aqui que construiu grande parte do seu corpo de obra, a mais com o Teatro Maria Vitória.

Curiosamente, o seu último trabalho nos palcos, em 1986, seria “Isto é Maria Vitória”, uma produção do teatro Maria Matos. O teatro de revista levou-a rapidamente à comédia televisiva, onde acabaria por se tornar numa das mais acarinhadas atrizes portuguesas, nomeadamente ao lado de outro ícone dos palcos nacionais, Camilo de Oliveira, com quem construiu o dueto Agostinho e Agostinha, na série “Sabadabadu”.

Este programa foi um marco da comédia em Portugal, tendo revelado muitos jovens nomes do teatro em Portugal, assim como inscreveu no léxico nacional frases como “com um simples vestido preto, eu nunca me comprometo”.



Rita Blanco


Rita Blanco é uma das mais acarinhadas atrizes portuguesas de teatro, conciliando o respeito do grande público e da crítica. Isso deve-se ao facto de ter feitos vários trabalhos, que tanto vão do drama à comédia, de trabalhos mais sérios até ao entretenimento puro.

A sua carreira na representação iniciou-se em 1983, quando ainda não tinha terminando o curso de Teatro sequer, no Teatro da Cornucópia, uma escola para os atores da sua geração. Foi com a peça “Mariana espera casamento”, de Luís Miguel Cintra. Rita Blanco seria mesmo nomeada para o Prémio Garrett de melhor representação feminina, pelo seu trabalho em “Nunca nada de ninguém”, em 1991, numa peça encenada por Ana Tamen.

Nos últimos anos, tem sido no grande ecrã que Blanco tem-se destacado como grande atriz de referência. Com João Canijo tem mantido uma colaboração regular. Iniciou-se inclusive no teatro, em 1988, quando o autor encenou “Crimes do coração”, e continuou no grande ecrã e até na televisão.

Os filmes “Sangue do meu sangue” e “Ganhar a vida” valeram-se inclusive Globos de Ouro. Rita Blanco tem feito também telenovelas, séries de televisão, telefilmes, programas humorísticos e até programas infantis, como a mítica “Rua Sésamo”. Também experimentou a apresentação de concursos e chegou a ser uma das vozes de “A noite da má língua”, um histórico talk show de crítica e maldizer da atualidade nacional, que durou entre 1994 e 1997 na SIC.

Maria do Céu Guerra


A carreira de atriz portuguesa de teatro e, especialmente, de encenadora de Maria do Céu Guerra confunde-se muitas vezes com a da companhia A Barraca, mas o seu trabalho vai muito mais além do que isso. Maria do Céu Guerra chegou, até, a ser considerada melhor atriz da Europa.

Nascida em Lisboa, em 1943, Maria do Céu Guerra foi uma das fundadoras da Casa da Comédia e do Teatro Experimental de Cascais, na década de 60, onde construiu a primeira parte da sua carreira. A estreia fora em 1963, em “Assembleia ou partida”, sob a mão de Correira Garção. A seguir viria a experimentar a comédia e a revista à portuguesa, durante a década de 70, até que, em 1975, um ano após a revolução dos Cravos, Maria do Céu Guerra lança a primeira pedra de A Barraca.

“A cidade dourada” é o primeiro espetáculo de uma companhia que passa a fazer parte da história do teatro nacional até à atualidade. No entanto, a atriz tem também projetado a sua carreira em outros palcos, com participações no Teatro Nacional D. Maria II, no São Luiz ou na Comuna.

Paralelamente ao teatro, Maria do Céu Guerra tem ainda um respeitável currículo no cinema, em filmes como “Crónica dos bons malandros”, de Fernando Lopes, ou “Os gatos não têm vertigens”, de António Pedro Vasconcelos, assim como uma sólida carreira na televisão, tendo participado em várias novelas, como “Jardins proibidos” ou “A impostora”. Aliás, foi nesta última que Maria do Céu Guerra contracenaria naquela que seria a última cena do ator Nicolau Breyner, antes da morte deste durante as rodagens.

Beatriz Costa


Não podíamos fazer uma lista das melhores atrizes portuguesas de teatro sem mencionar Beatriz Costa, que faleceu em abril de 1996. Esta foi a grande diva da representação em Portugal e o seu mito continua a perdurar nos dias de hoje. Nascida na pequena aldeia da Charneca do Milharado, no concelho de Trofa, em 1907, Beatriz Costa iniciou a sua carreira na revista à portuguesa e no espetáculo de variedades, pois géneros de grande tradição.

Estreia-se como corista com apenas 15 anos, na peça “Chá e torradas”, e apenas um ano depois estreia-se como atriz nas revistas do Parque Mayer. Entre Portugal e o Brasil, rapidamente Beatriz Costa se destaca e começa a construir uma imagem de atriz em ascensão, que iria ter todo o seu destaque na sua curta, mas bem sucedida carreira cinematográfica.

Depois de participações esporádicas em produções mais ou menos anónimas, Beatriz Costa é imortalizada em “A canção de Lisboa”, de José Cotinelli Telmo, um dos grandes títulos da década de ouro da comédia nacional.

Ao lado de Vasco Santana, é eleita a princesa do cinema português. Quando faz, dois anos depois, o seu último filme, “A aldeia da roupa branca”, o nome de Beatriz Costa já estava imortalizado nas páginas da cultura nacional.

Em 1960 despedia-se nos palcos, recusando os vários convites que lhe chegavam, e aproveita para embarcar numa vida pela alta classe que viria a documentar nos seus livros de memórias. Tendo vivido desde então num quarto no Hotel Tivoli, onde viria a falecer com 88 anos em 1996, Beatriz Costa viria a conviver com personalidades como Salvador Dali, Sophia Loren, Edith Piaf ou Pablo Picasso.

Beatriz Costa tornava-se assim no símbolo maior de um star system normalmente conotado ao outro lado do Atlântico, ao mesmo tempo que é recordada como uma das grandes atrizes do teatro em Portugal.

Amélia Rey Colaço


É impossível falar do teatro em Portugal sem falar de Amélia Rey Colaço, encenadora e atriz que foi um dos maiores nomes dos palcos nacionais. Nascida em Lisboa em 1898, Amélia Rey Colaço nasceu num meio cultural propício (o pai, Alexandre Rey Colaço era pianista e professor do futuro rei de Portugal), que a levariam desde cedo às artes.

Além disso, a sua origem multicultural (a mãe era francesa e o padrasto alemão) também lhe abriram os horizontes, numa altura de grande conservadorismo, especialmente junto das mulheres. Depois de atraída para o teatro em Berlim, durante a sua estadia com a família do padrasto na Alemanha, Amélia Rey Colaço começaria a estudar Teatro em Lisboa e estrear-se-ia em 1917, com a peça “Marinela”, de Benito Pérez Gáldós, naquele que hoje é o teatro São Luiz.

Paralelamente à sua carreira de atriz, Amélia Rey Colaço fundaria com Robles Monteiro a Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro, que viria a ser mais antiga companhia teatral da Europa, sediada no Teatro Nacional D. Maria II até ao incêndio deste.

Foi ainda um nome ligado à contestação do regime, contratou pintores para construir os cenários das suas peças, revelou jovens actores, trouxe com ousadia peças de autores polémicos ao palco e cultivou a admiração de reis, políticos e público. Era conhecida a admiração de Salazar, o ditador português do Estado Novo.

No entanto, ironicamente seria a Revolução de Abril a levarem-na a suspender a sua carreira, por perceber que iria ser vista como um símbolo da ditadura. Voltaria mesmo assim para um último grande papel: tinha 87 anos, quando interpretou a personagem de D. Catarina na peça de José Régio, “El-rei D- Sebastião”.


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Autor: author Tiago Palha

Tiago Palha é um redator apaixonado por tudo o que tem a ver com o mundo das celebridades, tecnologia gastronomia, e muito mais. Siga-o nas redes sociais: Facebook | Twitter

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